terça-feira, 7 de outubro de 2014

RESPOSTAS ATUAIS PARA UM QUESTIONAMENTO ANTIGO

VOCÊ QUERIA SABER SOBRE CABALÁ MAS NÃO TINHA COMO PERGUNTAR, ALIÁS NÃO TINHA PARA QUEM ? 
ESTA LISTA DE PERGUNTAS ME FOI ENVIADA EM 1994; AS RESPOSTAS DE ENTÃO FORAM E SERÃO VÁLIDAS SEMPRE. PODE SER ÚTIL TAMBÉM AGORA PARA VOCÊ ! COM CERTEZA ! TAL COMO APRENDER KABBALAH
O texto em azul são adições atuais.
A Cabalá é uma árvore no Jardim das Romans (Pardes Rimonim)

Não sei quem redigiu as questões mas achei divertido atender ao questionamento. Foi em 1994. E muito útil !

Ao “Grande Inquisidor”...
Retorno abaixo o que me foi possível responder a tão terrível arguição. Espero que não encontre entre os examinadores algum discípulo do Frei Tomás de Torquemada. Certamente terei que comprar um terno novo de amianto para aguentar a fogueira... 

1. O que é Cabalá?
A palavra hebraica kabbalah (QBLH - 137) significa tradição - tradição oral passada da boca para o ouvido, do sábio para o seu discípulo longe de ouvidos indiscretos e pouco preparados.  Diz-se que o Pentateuco, a Torah - os 5 primeiros livros da Bíblia (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio) é a lei (conhecimento exotérico e escrito) e a Cabalá é a verdade (conhecimento esotérico e oral, sacerdotal). A maior preocupação dos estudiosos é com o lado "filosófico" e religioso, não com o seu lado prático, cotidiano de compreensão das necessidades simples do nosso cotidiano do que é viver bem, em paz. Como, segundo alguns, viver em harmonia com Deus.


2. Quais as “divisões” da Cabalá?
Em uma cabala existem 4 níveis. Em linguagem popular podemos dizer que estes quatro níveis são: de fogo, de água, de ar e de terra. Correspondem respectivamente a construção da palavra Javé ou Jeová  (YHWH - 26). Mas quem realmente conhece, quando fala em Cabalá sabe que está, na realidade, falando de 4 Cabalas sobrepostas, formando a Escada de Jacó. Estas 4 Cabalas sobrepostas formam novamente 4 níveis: de Deus (fogo), dos Arcanjos (água), dos Anjos (ar) e de Terra (terra). Ou. segundo C.G. Jung, arquétipo, mente inconsciente, mente consciente e matéria.

3. Qual é a posição de Moisés face a Cabalá?
Segundo o Pentateuco, Moisés recebe os 10 Mandamentos (a Cabalá escrita) d’Ele no alto da montanha. Ninguém realmente sabe se os grandes patriarcas bíblicos existiram, se os seus nomes significam pessoas ou tribos ou ainda se seriam apenas figuras míticas. Diz ainda o Pentateuco que Moisés (MShH - 345) é judeu. Porém Mósis é um nome egípcio. Moisés poderia ter sido Mósis, um egípcio. A Bíblia está cheia de contradições e principalmente o Pentateuco que tem muito de lendas mais antigas de origem caldéia ou babilônica. Convém lembrar que o primeiro texto bíblico (javístico) provavelmente foi escrito 100 anos após Salomão, muito tempo depois de Moisés, contando uma história mantida apenas pela tradição oral. Qualquer semelhança com Kardec é mera coincidência. Sobre Kardec, sabemos tudo, talvez bem mais até do que muitos gostariam que soubéssemos. 


 4. O estudo da Cabalá pode ser autodidata?
Pode. O conhecimento formal ou acadêmico não necessariamente leva à sabedoria. Aliás, dizem alguns, que a sua tendência é tornar-se dogmático e portanto limitante. Como o estudo da Cabalá é um estudo “criativo” porque pressupõem “abrir o acesso ao inconsciente” depende muito de estímulos pouco formais.  Mas, muito estudo é necessário para uma formação básica que permita o acumulo de informações  necessárias e suficientes à dedução do teorema. E muita determinação... Porém extremamente prazeroso e reconfortante.

5. Quais obras necessárias ao estudo da Cabalá?
Pela ordem, segundo a dificuldade e apenas para começar:
- naturalmente, dois dos meus livros,  o ABC da Cabala (com o auxílio de um Tarô de Marselha) e A Saga da Sabedoria (ambos pela Ed. Nórdica)... esgotados. Agora em enbooks.
- Qabalah de Alberto Lyra (Ed. Ibrasa);
- todos os livros do Z’ev ben Shimon Halevi (quase todos já traduzidos para o português) mas principalmente Universo Kabbalistico (Ed. Siciliano), Adão e a Árvore Kabbalistica (Ed. Imago), O Caminho da Kabbalah (Ed. Siciliano), Kabbalah e Êxodo (Ed. Siciliano), A Árvore da Vida (Ed. Siciliano) e Cabala e Psicologia (Ed. Siciliano);
- A Cabala Mística de Dion Fortune (Ed. Pensamento);
- O Dador Alegre - Ensaios de Kabala, Mario Satz (Ed. Ground);
- A Cabala e o seu Simbolismo e A Mística Judaica, ambos de Gershom Sholem (Ed. Perspectiva);
- todos os livros (absolutamente mandatórios para um estudo sério) de Arieh Kaplan (quase todos ainda em inglês - Ed. Samuel Weiser);
- e para quem gosta de um pouco de delírio:
- todos os livros de Papus (em português pela Ed. Martins Fontes);
- todos os livros de Eliphas Levi (Ed. Pensamento);
- e como complemento sugiro todos os livros do Joseph Campbell, sobretudo O Herói de Mil Faces.
Ressalte-se que a literatura é imensa e não se esgota com esses poucos títulos.
Em meu livro ABC dos Mistérios há uma ampla bibliografia (de Papus) no verbete Bibliografia... e no final do livro também. Este livro em ebook é gratuito; peça uma cópia para mim por email. 

6. Quais organizações idôneas que ensinam Cabalá?
- Dentro da colônia judaica em São Paulo há pelo menos duas (Torá Temimá do Brasil,  Beith Chabbad e Bnei Baruch). Desconheço se ensinam, como eu faço, para não judeus;
- não tive e não tenho tido convívio com pessoas que ensinam Cabalá, além dos dois rabinos e um monge xintoísta que me indicaram o caminho.
- Apesar de não ser judeu, ensino Cabalá e de forma idônea. Geralmente com orientação prática.


7. É indispensável conhecer hebraico para estudar Cabalá?
Não creio que seja, mas que ajuda muito, ajuda. O mesmo se aplica à leitura de outros textos tais como os Vedas, os Sutras budistas, escritos em Sânscrito ou em Pali. Há traduções maravilhosas mas o original seria melhor. Não dá para fazer tudo. Pessoalmente prefiro deixar aos tradutores competentes o trabalho e empregar o meu tempo estudando e talvez “sacando”... Há um dicionário Cabalístico em inglês que não resolve tudo mas ajuda muito: Godwin’s Cabalistic Encyclopedia, Llewellyn’s Sourcebook Series, USA. 

8. Quais e quantas são as “Escolas de Pensamento do Cabalismo”?
Se entendi corretamente a pergunta, diria que, no “frigir dos ovos” conheço apenas as  “escolas” de, Narbonne (França), Gerona (Espanha) e Safed (Sfed), na Palestina. Não estou considerando o aspecto da ortodoxia exotérica Hassídica como “escola” bem como de certas evoluções do cabalismo não judaico. Imagino que deva ter havido um grande número de “grupos de estudo” com pouco ou nenhuma divulgação, responsáveis, quem sabe, por grandes desenvolvimentos do pensamento humano ocidental. Muita informação, até difícil, pode ser obtida, hoje em dia, na internet. Muito cuidado com as mesmas fantasias e crendices antigas apesar da tecnologia.

9. Há muitos cabalistas “de fato” entre os atuais judeus?
Se for pelo ouvido, visto e lido, conheço pelo menos dois: Z’ev ben Shimon Halevi (Mr. Warren Kenton, seu verdadeiro nome e sob o qual escreve sobre astrologia), Dr. Philip S. Berg e Dr. Michael Leitman. Deve haver muito mais. 

10. Os judeus mantêm escolas de Cabalá.
Sim. Acho que respondi no item 6. Os livros do Dr. Philip S. Berg e de outros cabalistas são editados pelo The Research Centre of Kabbalah (Nova Iorque  e Jerusalém), onde, acredito, deva haver um ensino sistemático. Pelo menos os livros que edita costumam ser bons. Ressalte-se que muitos judeus encaram a Cabalá como uma espécie de bruxaria, capaz de criar monstros (Golem), etc., tal como, de certa forma muitos cristãos se referem, lamentavelmente, ao Candomblé.
Muito cuidado com fitinhas, água benzida e afins ! São muletas e dão muito lucro...

11. Três nomes de cabalistas modernos e notáveis, talvez brasileiros?
 Alberto Lyra (brasileiro)(já falecido), Arieh Kaplan (já falecido) e Z’ev ben Shimon Halevi.

12. Em que época e região surgiu a Cabalá com a estrutura que se conhece hoje em dia?
Provavelmente no século XIII e talvez na Itália.

13. Há algum país, algum povo, atualmente, que se destaca pelo número de cabalistas que tem?
Desconheço. Imaginaria que, pela própria tendência, deveriam ser os judeus e em Israel. Vide a existência do The Research Centre of Kabbalah nos EUA, no Brasil e em Israel, a organização Bnei Baruch (agora de âmbito mundial...).

14. O que representa na doutrina cabalista “a Shekinah”?
No “feijão com arroz” significa habitação. O quarto mandamento diz:
“Santificarás o dia do Shabath”, um dia em cada 7 em que deveria haver a união com Deus. Na cerimônia do Shabath estaria presente o espírito da Shechinah, a presença “feminina” de Deus. Poder-se-ía dizer que ela é N.Senhora no rito cristão, Amaterassu-o-Kami no rito Xintô e Shiva ou Kali no Vedanta. Sempre a vontade feminina da geração e extermínio: “...fazendo uma longa prece a Kali, a estranha deusa que bate e que consola, aquela que acaricia e devora”(O Mahabharata).

15. E o “Santo dos Santos” o que é?
É um lugarzinho escuro onde ficava guardada uma arca de acácia com dois côvados e meio de comprimento, um côvado e meio de largura e um côvado e meio de altura, sob um véu de púrpura violeta e escarlate, carmesim e linho retorcido.


16. A Cabala exerce influência notável sobre alguma organização esotérica ou algumas organizações esotéricas atuais? Quais?
Sim. Na Rosacruz e Maçonaria.


17. O que é Cabala Dogmática?
A meu ver, por exemplo, é aquela praticada(?) ou estudada no Hassidismo.
Hassidismo festivo !.
18. O que é Cabala Prática?
Deveria ser aquela empregada para terapia social e individual e não em rituais absurdos como os engendrados por S.L. MacGregor Mathers e Aleister Crowley para a Sociedade da Aurora Dourada nos estertores do século passado. “Mathers julgava-se ser a reincarnação do Rei James IV, o rei Mago dos Escoceses... e andava de bicicletas por Paris vestido com o uniforme escocês completo”. (Magic, Francis King, Thames and Hudson, Pg. 121). Serve, por exemplo, para estimular a criatividade, capacidade de diagnose e anamnese. E, muito mais

19. A numerologia atual tem alguma fundamentação cabalística?
Sim. Leibnitz, foi, sem dúvida, um cabalista, deve ter “sacado” o cálculo infinitesimal pela Cabala, com o auxílio da Guematria, do Notariqon e da Temurah.

20. Conhece a Cabala “Ariana”?
Não conheço. E, o fato de ser chamada de “Ariana” me causa espécie! Lembra-me a cruz suástica tão mal empregada pelos alemães de Hitler.

21. Quem ou o que é Deus, cabalisticamente falando.
Pergunto, segundo qual “escola”?
Eu, particularmente, prefiro assim:
E disse Deus a Moisés: “Eu sou aquele que é”.(Bíblia de Jerusalém,
Êxodo 3, 14, Ed. Paulinas).
O verdadeiro Tao é aquele que não pode ser explicado.(Tao Te Ting)
É o G.A.D.U.!!!!


22. E os anjos, cabalisticamente falando, como são conceituados em Cabala?
Pertencem à Cabala de Água, do “Vau” da palavra Jeová (YHWH). São dez anjos e as suas hostes celestiais, cada um deles correspondendo a uma das 10 sefiras. 
Em linguagem mais moderna (junguiana) é o nível da consciência individual, aquela que faz a máquina andar, ainda que seja burra e incompetente. Convém lembrar aqui que a palavra anjo significa “mensageiro” em grego e que na realidade serve para descrever as energias que fluem de pessoa para pessoa, positivas ou negativas e não seres com farfalhantes asas. Mas que cada um acredite naquilo que lhe faz bem!
Lembro apenas que os Devas (anjos) indianos não tem asas.


23. É verdade que a Cabalá fala em 4 mundos e em 4 “Adãos”?
Sim. O homem está materializado em Assiah (Olam-ha-Assiah).  O seu consciente estaria em Ietsirah, o seu inconsciente em Briah e a manifestação do inconsciente coletivo nele em Atziluth. Todo ser humano teria em si os quatro níveis ou talvez em 4 “Adãos”.

24. Quais são esse mundos e esses “Adãos”.
Ver 23 acima.

25. O ser humano, do ponto de vista cabalístico, foi criado à imagem e semelhança de seu criador ou de Adão Kadmon?
Deste último. Joshua (YHWShO - 391) ou Jesús respondia, quando perguntado se era filho de Deus: “Meu nome é Joshua ben Adam (José filho de Adão)”.

26. Nós, como seres humanos, adquirimos experiências que são “absorvidas” por Adão Kadmon?
Ele seria o nosso molde (mente inconsciente), do qual nos desviamos pela consciência (ar) em lugar de ouvi-la, a nossa forma (água). Aliás, o ADN (ácido dióxirribunucleico), a nossa forma essencial física tem tudo a ver com a forma da Cabalá, não é mesmo? Se temos a cara que temos devido a esse enorme banco de dados é porque também ele não definiria uma outra cara: a do nosso cérebro.

27. Quem é “Enoc” para a Cabalá Hebraica?
Ao desfazer-se em Deus, transformou-se em Metatron (MTTRWN - 964/314), o Arcanjo da Presença associado à sefira 1 da Cabala de Água. Sobrepõem-se, segundo alguns, ao Yahweh Eloah-wa-Daath (YHWH ALWH WDOTh - 548), o Senhor Deus da Sabedoria associado à sefira 6 da Cabalá de Fogo. Segundo outros, o nome associado à essa sefira 6 seria  Yahweh Elohim (YHWH ALHYM - 672). Parece complicado mas não é tanto assim...   

28. Qual é o ponto de vista cabalístico sobre a “reencarnação”?
Que a alma encarna em um corpo habilitado pela Shechinah. Segundo Z’ev ben Shimon Halevi, há um “banco” de almas para onde ascenderíamos após a morte e onde aguardaríamos um novo corpo. A visão de Jacó (A Escada de Jacó) seria, na realidade, a visão da subida e descida destas almas. Na religião judaica há uma profunda preocupação com a “preservação” do corpo, pelo menos de um pequeno osso da base do crânio, para o advento da ressurreição “final”, do advento da Jerusalém divina. Muito parecido com a “roda” budista, embora despreocupada com a preservação do corpo. Há credos e credos...

29. O que acontece com a “alma ou espírito” dos que morrem, enquanto aguardam uma próxima encarnação na terra?
Não me lembro...

30. Quais as principais “filosofias” que atualmente sofrem forte influência cabalista?
Não me ocorre nenhuma onde a Cabala pudesse estar exercendo uma influência aparente e significativa. Por outro lado, sou de opinião que Cabala deveria ser ensino mandatório, pelo menos no primeiro ano dos cursos de Filosofia, Psicologia, Direito e Medicina. Correríamos o risco de ter profissionais melhores... muito mais criativos e competentes !

31. Há alguma religião ou algumas religiões atuais que também sofreram ou sofrem influência da Cabalá Hebraica?
Diretamente, as religiões cristãs. Não creio que a Cabalá Hebraica tenha influenciado no Extremo Oriente. Sabe-se já, através de estudos arqueológicos, que a cultura indo-ariana surgida no platô iraniano foi quem deu origem às formas culturais dos vales do Tigre/Eufrates, do Ganges e do Yang-Tzé.  Não seria a toa que os 32 Caminhos da Sabedoria multiplicados por 2 representando Adão Kadmon e Deus resultam 64, o número total de Hexagramas do I-Ching e as casas do jogo de xadrês. Creio em desenvolvimentos paralelos com uma mesmo origem.

Assim seja!

Quer mais, fale comigo. Pelo email ou SKYPE:  Leo.Reisler



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