Pertence ao mistério ser conhecido.
Será?
A palavra
hebraica kabbalah (QBLH - 137) significa tradição - tradição
oral passada da boca para o ouvido, do sábio para o seu discípulo longe de
ouvidos indiscretos e pouco preparados.
Diz-se que o Pentateuco, a Torah[3] é a lei (conhecimento exotérico[4]
e escrito) e a Cabala é a verdade
(conhecimento esotérico e oral). O seu
símbolo, logotipo original “criado por Moisés” é a menorah, o candelabro judaico para 7 ou 8 velas. Através dele os
sábios “recordavam-se” da tradição oral e oculta.
O Zohar declara:
( http://pt.wikipedia.org/wiki/Zohar):
"Infelizes
daqueles que vêem na Torah nada mais
do que simples narrativas e palavras ordinárias."
A verdade nesse caso é que cada
palavra da Bíblia contém um sublime mistério codificado que, quando
decifrado, revela uma riqueza de
significado elevado. As narrativas da Torah
são apenas as roupagens exteriores com quais o verdadeiro significado está
coberto. E infeliz daquele que confunde a roupagem exterior com a Bíblia. Esta
foi exatamente a idéia que fez o Rei
Davi exclamar:
“Abra meus olhos para que eu possa contemplar as extraordinárias
coisas da sua Torah.”
A Cabala é um
símbolo arquetípico, formado pelo ser humano. Nesse caso, ela originou-se como
parte do judaísmo, um símbolo mnemônico sob forma de candelabro possível de ser
transportado pelo deserto ocupando pouco espaço. Com ele, os sábios podiam e podem relembrar o
que aprenderam da “boca para o ouvido” sem ter nada escrito.
Mesmo porque, como diz Edward F. Edinger[5]
sobre símbolos:
“Os símbolos são um produto expontâneo da psique
arquetípica. Não é possível fabricar um símbolo; só é possível descobri-lo. Os
símbolos são portadores de energia psíquica. Eis por que convém considerá-los
vivos. Eles transmitem ao ego, consciente ou inconscientemente, a energia vital
que apóia, orienta e motiva o indivíduo. A psique arquetípica mantém uma
incessante atividade de criação de uma corrente estável de imagens simbólicas
vivas. (...) Os símbolos penetram no ego, levando-o
a identificar-se com eles e a trabalhar com eles inconscientemente; ou passam
para o ambiente externo, através das projeções, levando o indivíduo a ficar
fascinado e envolvido com objetos e atividades externos."
Assim, com o símbolo, o conhecimento da Cabala
atravessou os séculos. Nesses séculos, os sábios sempre acrescentaram algo mais
à ela, usando da sua enorme intuição e sendo extraordinariamente criativos.
Estudar Cabala é muito bom e faz bem! Você lerá a Bíblia com uma nova visão, talvez semelhante a dos velhos patriarcas.
[2]Esotérico. [ Do gr. esoterikós.] Adj. 1. Filos.
Diz-se do ensinamento que, em escolas filosóficas da antigüidade grega, era
reservado aos discípulos completamente instruídos. 2. P. ext. Todo o
ensinamento ministrado a círculo restrito e fechado de ouvintes. 3. Filos.
Diz-se de ensinamento ligado ao ocultismo. 4. Fig. Compreensível apenas por
poucos; obscuro, hermético. [Cf.
exoterismo.] Novo Dicionário Aurélio de Língua Portuguesa. 2a. Ed. Editora Nova
Fronteira.
[3]Torah são os 5 primeiros livros da Bíblia
(Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio). Torah quer dizer
“orientação” em hebraico.
[4]Exotérico (z) [Do grego. exoterikós, pelo lat.
exotericu.] Adj. Filos. Diz-se de ensinamento que, em escolas da Antigüidade
grega , era transmitido ao público sem
restrição, dado o interesse generalizado que suscitava e a forma acessível em que podia ser exposto, por se tratar de
ensinamento dialético, provável, verossímil. [Cf. esotérico.] Novo Dicionário
Aurélio de Língua Portuguesa. 2a. Ed. Editora Nova Fronteira.
[5]Ego e
Arquétipo, Ed. Cultrix, Pág.
158.
