sábado, 4 de fevereiro de 2012




O que é Cabala? [2]
Pertence ao mistério ser conhecido.
Mas também pertence ao mistério continuar mistério no conhecimento[1]
Será?

A palavra hebraica kabbalah  (QBLH - 137) significa tradição - tradição oral passada da boca para o ouvido, do sábio para o seu discípulo longe de ouvidos indiscretos e pouco preparados.  Diz-se que o Pentateuco, a Torah[3] é a lei (conhecimento exotérico[4] e escrito) e a Cabala é a verdade (conhecimento esotérico e oral).  O seu símbolo, logotipo original “criado por Moisés” é a menorah, o candelabro judaico para 7 ou 8 velas. Através dele os sábios “recordavam-se” da tradição oral e oculta. 
O Zohar  declara: 
( http://pt.wikipedia.org/wiki/Zohar):

"Infelizes daqueles que vêem na Torah nada mais do que simples narrativas e palavras ordinárias." 

A verdade nesse caso é que cada palavra da Bíblia contém um sublime mistério codificado que, quando decifrado,  revela uma riqueza de significado elevado. As narrativas da Torah são apenas as roupagens exteriores com quais o verdadeiro significado está coberto. E infeliz daquele que confunde a roupagem exterior com a Bíblia. Esta foi exatamente a idéia  que fez o Rei Davi exclamar: 

“Abra meus olhos para que eu possa contemplar as extraordinárias coisas da sua Torah.

 A Cabala é um símbolo arquetípico, formado pelo ser humano. Nesse caso, ela originou-se como parte do judaísmo, um símbolo mnemônico sob forma de candelabro possível de ser transportado pelo deserto ocupando pouco espaço. Com ele, os sábios podiam e podem relembrar o que aprenderam da “boca para o ouvido” sem ter nada escrito.  Mesmo porque, como diz Edward F. Edinger[5] sobre símbolos:

“Os símbolos são um produto expontâneo da psique arquetípica. Não é possível fabricar um símbolo; só é possível descobri-lo. Os símbolos são portadores de energia psíquica. Eis por que convém considerá-los vivos. Eles transmitem ao ego, consciente ou inconscientemente, a energia vital que apóia, orienta e motiva o indivíduo. A psique arquetípica mantém uma incessante atividade de criação de uma corrente estável de imagens simbólicas vivas. (...) Os símbolos penetram no ego, levando-o a identificar-se com eles e a trabalhar com eles inconscientemente; ou passam para o ambiente externo, através das projeções, levando o indivíduo a ficar fascinado e envolvido com objetos e atividades externos."

Assim, com o símbolo, o conhecimento da Cabala atravessou os séculos. Nesses séculos, os sábios sempre acrescentaram algo mais à ela, usando da sua enorme intuição e sendo extraordinariamente criativos. 
Estudar Cabala é muito bom e faz bem! Você lerá a Bíblia com uma nova visão, talvez semelhante a dos velhos patriarcas. 



NOTAS:
[1]Mística e Espiritualidade, Leonardo Boff e Frei Beto, Ed. Rocco, Pág. 14.
[2]Esotérico. [ Do gr. esoterikós.] Adj. 1. Filos. Diz-se do ensinamento que, em escolas filosóficas da antigüidade grega, era reservado aos discípulos completamente instruídos. 2. P. ext. Todo o ensinamento ministrado a círculo restrito e fechado de ouvintes. 3. Filos. Diz-se de ensinamento ligado ao ocultismo. 4. Fig. Compreensível apenas por poucos; obscuro, hermético.  [Cf. exoterismo.] Novo Dicionário Aurélio de Língua Portuguesa. 2a. Ed. Editora Nova Fronteira. 
[3]Torah são os 5 primeiros livros da Bíblia (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio). Torah quer dizer “orientação” em hebraico.
[4]Exotérico (z) [Do grego. exoterikós, pelo lat. exotericu.] Adj. Filos. Diz-se de ensinamento que, em escolas da Antigüidade grega , era transmitido ao público  sem restrição, dado o interesse generalizado que suscitava e a forma acessível  em que podia ser exposto, por se tratar de ensinamento dialético, provável, verossímil. [Cf. esotérico.] Novo Dicionário Aurélio de Língua Portuguesa. 2a. Ed. Editora Nova Fronteira. 
[5]Ego e Arquétipo, Ed. Cultrix, Pág. 158.