Por Leo Reisler
Costuma-se esquecer ou então nem sequer sabemos que a palavra religião vem do latim religare que implicaria no religar o homem a Deus. Em A Imagem Mítica, Joseph Campbell, Papirus Editora (J. Campbell foi um dos mais famosos antropólogos norte-americanos, erudito respeitado no mundo inteiro pela sua sabedoria bem como pelo seu trabalho editado), encontrei à página 411:
Em , O ramo de ouro, Frazer define religião nos seguintes termos:
Por religião, entendo uma propiciação ou conciliação de poderes superiores ao homem que se supõe, dirija e controle o curso de natureza e da vida humana. Assim definida, a religião consiste de dois elementos, um teórico e um prático, ou seja, uma crença em poderes superiores ao homem e uma tentativa de propiciá-los ou agradá-los. Dos dois, é claro que a crença vem em primeiro lugar, pois precisamos crer na existência de um ser divino antes de poder agradá-lo. Mas, a menos que a crença nos leve à prática correspondente, não é uma religião, mas tão-somente uma teologia; nas palavras de São Tiago, “a fé isoladamente, se não tiver atos, é morta”. Em outras palavras, nenhum homem pode ser considerado religioso quando não pauta sua conduta, até certo ponto, pelo temor a Deus. Por outro lado, a mera prática, despojada de toda a crença religiosa, também não é religiosa. Dois homens poderão agir exatamente da mesma maneira, e um pode ser religioso e o outro não. Se um age por amor ou por temor a Deus, ele é considerado religioso; se o outro age por amor ou por temor ao homem, ele é considerado moral ou imoral conforme o seu comportamento concorra ou difira do bem geral (1).
(1)FRAZER, The Golden Bough, p. 50.
Por este texto, de um dos mais sérios livros sobre a religiosidade humana, poderíamos depreender que o homem, para religar-se a Deus, deveria praticar a religião e ao praticá-la fazê-lo de forma moral, concorrendo para o bem geral, utilizando-se de uma das características que, segundo os religiosos místicos, diferem o homem das demais entidades celestes: o seu livre arbítrio. Esta capacidade lhe permitiria agir de forma ética e racional, diferenciando-se portanto não apenas da entidades que não tem livre arbítrio e que apenas seguem as ordens divinas mas também dos animais que apenas seguem os seus instintos. Assim sendo, se dispomos do livre arbítrio pela vontade de Deus, por que é que nas práticas religiosas há individuos e grupos sectários que querem impôr “a sua verdade”, não apenas de forma anti-ética mas anti-religiosa, visto irem contra a vontade de Deus que desejou que ele, o homem, comande o seu próprio destino. Mesmo porque, afinal de contas, nós também somos filhos de Adão (foi Cristo quem disse que o seu nome era Joshua ben Adam, que significa José, fiilho de Adão...) e Adão foi feito à imagem e semelhança de Deus.
Pense nisso e até a próxima!